30.1.10 (04:27)

Relato de parto do meu filho Caio, nascido em 17/12/2009


Tenho 27 anos e há 3 namoro o Rodolfo, de 24 anos. No dia 12 de junho de 2009 descobrimos que eu estava grávida de nosso primeiro filho. Logo fui fazer um ultrassom, que indicou que eu já estava de 15 semanas! Pois é... existe uma explicação para eu ter sido tão avoada, mas não vem ao caso agora. Passado o susto, afinal nem eu nem meu namorado tínhamos qualquer intenção de ter um bebê, finalmente abraçamos a ideia e ficamos apaixonados pelo nosso filho ainda na barriga. O primeiro trimestre já havia passado sem eu saber (e, obviamente, sem qualquer cuidado a respeito), o que para mim foi indicativo de que meu bebê seria forte e saudável. =)

Eu tinha um convênio médico bem simples, empresarial, plano enfermaria. Havia apenas seis maternidades cobertas, todas bem ruinzinhas. Eu sempre quis um parto normal, mas era desinformada que só! Não sabia que médicos de convênio não o faziam nem que poderia haver algo diferente dos modelos hospitalares tradicionais. Humanização então não fazia parte do meu vocabulário...

Nós não tínhamos muito dinheiro e nem cogitávamos um atendimento que não fosse pelo convênio. "Afinal, parto é algo tão simples e natural... que diferença poderia haver de um médico para outro, ou de um hospital para outro?" (hahaha!) Embora o raciocínio parecesse lógico, hoje eu sei que é totalmente ingênuo. E então a realidade começou a transparecer. Nossa, como foi difícil encontrar um médico do meu convênio que aceitasse fazer parto normal em um dos hospitais atendidos, mas enfim encontrei (hahaha, até parece!).

Fiz o pré-natal com direito a mil exames e ultrassons e tudo corria perfeitamente! Só que lá pela 34ª semana o bebê estava sentado, e o médico que fez o ultrassom me avisou que teria que fazer cesárea, informação confirmada pelo meu GO. "Mas não está em tempo de virar?", perguntei chorosa. "Agora não vira mais, é quase impossível.", ouvi. "E tem que ser cesárea por causa disso?", perguntei em prantos. "Sim, pois parto normal pélvico é muito arriscado, nenhum médico faz", ouvi. Indignada, fui em busca de outras opiniões. Eu precisava encontrar quem me dissesse o contrário. Como foi bom eu ser teimosa e odiar ser contrariada nesse momento!

A notícia ruim me fez então fuçar na internet e conhecer o site do GAMA. A sensação foi nitidamente de que haviam tirado uma venda de meus olhos! Eu odeio me sentir enganada e foi assim que me senti até então! Eu já estava com umas 37 semanas de gestação, mas deu tempo de sair do limbo, ufa! Descobri que queria um parto natural humanizado e bitolei nessa ideia, lendo tudo o que pude a respeito. Para minha sorte, descobri o grupo de e-mails Materna, graças ao qual o final da gestação foi o melhor possível! Encontrei muito apoio e compreensão, foi demais!

Só que eu não tinha muita grana, e a opção de procurar um médico humanizado particular de última hora foi descartada. Minha opção seria então a Casa de Parto de Sapopemba (super longe da minha casa, mas tudo bem), pois o que mais me atraía na ideia do parto humanizado era a chance de não ter o bebê em um ambiente hospitalar, com médicos e enfermeiras me dando ordens indesejáveis. Deixei meu GO do convênio falando com a minha mão e passei a fazer o acompanhamento final lá.

Só que a profecia do médico mau que havia feito o ultrassom foi sendo confirmada: o Caio não queria saber de virar, mesmo após inúmeras tentativas e métodos. A Casa de Parto já não seria opção, mas eu não desistiria até o último segundo.

Combinei então meu plano com as enfermeiras fofas da CPS: quando entrasse em trabalho de parto, iria para lá e seria examinada. Se o Caio ainda estivesse sentado, seria encaminhada para o Hospital da Vila Alpina para a cesárea, pois era melhor que os hospitais do meu convênio e eu teria um atendimento mais humanizado, com alojamento conjunto e tal.

Só que no dia 16 de dezembro, minha data provável do parto, fui para mais uma consulta na CPS e fui atendida por uma enfermeira que ainda não me conhecia. Foi muito tenso! Ela foi contra meu plano de parto, disse que nem poderia estar me atendendo porque o bebê estava pélvico, criticou as enfermeiras que haviam me apoiado, disse que nunca tinha visto um bebê que virasse de última hora e não garantiu que o atendimento no Hospital da Vila Alpina seria bom (disse que dependeria muito da equipe que estivesse de plantão), além de ficar preocupada com os questionamentos que poderia sofrer (a equipe da CPS teria que explicar por que haviam me aceitado, o que causaria certo constrangimento). Enfim... decepção total.

Eu já estava de 40 semanas e meu plano de parto ia por água abaixo. Não valeria a pena atravessar a cidade e correr o risco de ser atendida por uma enfermeira que pensasse como ela. Anotei os horários dos plantões das enfermeiras que haviam me atendido antes e fui embora em prantos, sem ideia do que fazer. Sabe aquele desespero que faz a gente chorar de soluçar? Então, esse mesmo! Nesse dia era a minha mãe que estava me acompanhando, e não o Rodolfo, como das outras vezes. Ela não estava por dentro da humanização e, confusa, não podia me ajudar. Na verdade eu a levei nesse dia justamente para que ela se tranquilizasse e visse como o atendimento lá era especial e como eu estava bem amparada, mesmo desistindo de um hospital particular. Quanta decepção, céus! Foi tudo o contrário!

Após dirigir por horas em um trânsito infernal, barrigão, calor absurdo, Bandeirantes parada, finalmente cheguei em casa no final da tarde, acabada. Fui com o Rodolfo ao Habib's para jantar e desabafar. Ele me apoiou e, enquanto eu mergulhava em um milk shake consolador, ele dizia que no dia seguinte conversaria com seu cunhado, médico, para pedir opiniões sobre os GOs plantonistas do hospital em que ele trabalha (um dos poucos atendidos pelo meu plano). Quem sabe assim eu teria chance de ter um atendimento melhor, sei lá? Mas não deu tempo.

Fui dormir e acordei no dia 17 às 6 horas da manhã com um pouquinho de cólica. Inicialmente fiquei em dúvida se era culpa do milk shake, pois tive vontade de fazer cocô também. Só que percebi que a dor de barriga ia e voltava, e comecei a desconfiar de que estava mesmo em TP. Só que eu estava na casa do Rodolfo, e tudo o que eu deveria levar para a maternidade estava na minha casa, e eu nem havia feito uma mala. Tudo teria que ser decidido rápido. Foi quando, assim de repente, tive uma ideia que sei lá por que não havia passado pela minha cabeça até aquele momento: eu poderia ir ao HU. Para quem não conhece, é o Hospital Universitário que atende alunos e funcionários da USP e moradores da redondeza. Eu sou ex-aluna, mas o Rodolfo é aluno e mora lá perto. Resolvi então acordá-lo suavemente:

? Rô, estou sentindo umas dorezinhas... o que acha de irmos para a minha casa deixar tudo arrumadinho e depois passarmos no HU para ver se posso ter o bebê lá?

? Está muito cedo, Quel. Espera amanhecer, estou com sono...

? Hummm... mas Rô, estou com cólicas regulares. Acho que devíamos mesmo acordar agora e fazer isso.

Pronto, ele pulou da cama e começou a me apressar para sairmos logo, hehehe... Aceitou na hora a ideia do HU e sugeriu que passássemos lá antes de ir para a minha casa, por precaução. Só que não conseguíamos sair logo da casa dele, pois toda hora eu tinha vontade de ir ao banheiro. Resolvemos contar o intervalo entre as contrações e era de mais ou menos 7 minutos. Finalmente acho que fiz todo o cocô que estava estocado e fomos embora.

Chegando no HU, a recepcionista disse que eu só poderia ter o bebê lá se eu e o Rodolfo fôssemos casados no papel (ex-aluna não tem direito a nada). Que absurdo, não é mesmo? Bom, mas eu aleguei que já estava em TP, o que mudou a história. Fui rapidamente abrir uma ficha e logo fomos para o pronto atendimento obstétrico. Eu estava bastante tranquila e feliz. Parecia que meu bebê estava mesmo chegando, apesar de as dores serem bem fraquinhas e suportáveis. Eu não fazia a menor ideia de como era o atendimento lá, se teria um mínimo de humanização ou não, mas nada me preocupava mais. Eu só sentia uma enorme alegria em saber que aquele era o dia e que em breve meu filhinho estaria nos meus braços!

O Rodolfo teve que ficar em uma sala de espera (hummm... mau sinal) e eu fui atendida por uma médica bonita, bem jovem, toda maquiada. Ela pediu meu cartão da gestante, coisa que eu nunca tive. Entreguei uma pasta com um calhamaço de exames e expliquei brevemente a minha situação. Ela fez um toque e, enquanto enfiava o dedo, disse: "vou tentar dar uma descolada na membrana, para ela não segurar a dilatação". Eu meio que me assustei e disse que não precisava (já que eu ia entrar na faca mesmo, que deixasse tudo correr naturalmente até lá, para eu ver como era). Bom, não sei se ela cutucou ou não, mas falou que eu estava com 2 cm de dilatação e que o colo estava bem fininho. Eu falei que estava com umas cólicas e ela disse que eu devia estar em pródromos. Ela me levou então para outra salinha e me colocou no cardiotoco, dizendo que voltaria em uns 20 min. Pedi que avisassem o Rodolfo, que estava lá fora sem saber de nada, tadinho... Só que os 20 minutos viraram quase uma hora, e eu lá deitada em uma maca sem poder me mexer direito e sozinha. A médica havia sumido de vez. Isso foi bem desconfortável, e ao longo do tempo as dores foram ficando fortinhas. E eu só vendo aquele gráfico sendo impresso por metros e metros, hehehe... Dava pra ver que as contrações eram regulares, e que os batimentos do Caio ora aumentavam e ora diminuíam.

Parênteses: já que eu estava em um hospital mesmo, confesso que esses procedimentos não humanizados não me chateavam muito. Acho que eu tinha um espírito meio "quem está na chuva é pra se molhar". O que me preocupava mesmo era como seria após o nascimento. Ficaria muito triste se eu só pudesse ver o Caio horas depois de ele nascer, por exemplo. O resto eu suportava numa boa. Eu estava feliz por me sentir bem informada, por saber o que estava acontecendo, por mais que não fosse do jeito que eu queria. Pelo menos eu sabia que não seria enganada e podia observar os absurdos e pensar: "pobrezinhos, não sabem como poderiam melhorar o atendimento". Isso já dá uma sensação de segurança, dá para entender? Nessas eu já havia lido em um cartaz na sala de espera que o HU tinha alojamento conjunto para estimular a amamentação em livre demanda, o que contou pontos positivos.

De repente entrou um senhor grisalho de bigodes, de terno escuro e gravata (Dr. Edmundo), desligou a máquina, viu a minha ficha, pegou o resultado do cardiotoco (que já mostrava contrações de 5 em 5 min) e perguntou, surpreso: "Mas o bebê está pélvico?!". "Sim", respondi tranquila e um pouco sorridente (porque minha alegria transbordava até nos piores momentos). "Eu estou falando sério!", ele disse. E continuou: "Você já deveria estar com a cesárea marcada. Quem deixou você entrar em trabalho de parto?". Enquanto ele, com a cara amarrada e um ar de autoridade, me levava para outra salinha, eu, já um tanto revoltada (estava difícil me tirar do sério, mas ele estava conseguindo), tentava explicar que queria um parto normal, mas que já que não poderia ter, pelo menos eu queria entrar em trabalho de parto e blá blá blá... Então ele olhou nos meus olhos e perguntou firmemente: "você quer um parto normal?". Eu, descrente, respondi que queria muuuito, mas que sabia que nenhum médico faria com o bebê sentado. Ele então me disse que, se era a minha vontade, se o bebê não fosse muito grande (e eu sabia que ele era pequeno), se o TP evoluísse bem, se eu tivesse uma boa dilatação (enfim, condições normais de um parto) e tal, ele poderia fazer o parto normal. Nossa, eu quase caí dura! Ele na verdade não era um médico cesarista do mal! Acho que ele estava era surpreso em ver uma paciente como eu. Eu perguntei se ele já havia feito partos assim e ele respondeu seguro: "centenas!". Nesse momento uma enfermeira abriu a porta e eu vi o Rodolfo do lado de fora. Tentei chamar sua atenção e o Dr. Edmundo, já bem humorado, convidou "o papai" a entrar na sala. Então ele disse "peraí que vou dar um jeito" e saiu por uns instantes com meus exames. Enquanto isso eu contava eufórica a boa notícia para o Rodolfo, que ficou muito contente também. Foi tão legal!

Já era umas 10h da manhã quando o Dr. Edmundo voltou e disse que havia um porém: ele daria uma saída das 11h às 13h, e depois ficaria apenas até as 19h. Se o bebê não nascesse até lá, ele não responderia pelo médico que viesse depois. Resolvi ir pra casa arrumar minhas coisas e voltar às 13h. Fiquei apenas um pouco preocupada caso o TP demorasse muito e passasse das 19h, afinal, eu era uma primigesta e provavelmente ainda demoraria hoooras até parir.

Fui para casa e, calmamente, tomei um banho e fiz a minha malinha e a do Caio. As contrações estavam mais fortes e constantes, mas suportáveis. Para aliviar, eu ficava pulando a cada contração. Apesar de notar a frequência entre elas, eu estava esperando as tais dores insuportáveis. Além disso, ainda estava cedo, não é mesmo? Demos uma passada na casa do Rô para pegar mais umas coisas e voltamos para o hospital. Durante o trajeto, nos intervalos das contrações, eu telefonava para meus pais e enviava torpedinhos para os amigos avisando que o Caio nasceria naquele dia no HU.

Chegamos no hospital umas 12h50. Até então eu não tinha dado entrada na internação e ninguém que estava lá sabia direito a minha situação. Pedi para uma enfermeira avisar quando o Dr. Edmundo voltasse e fiquei esperando com o Rô no corredor do lado de fora da sala de espera. As dores estavam mais fortes e, durante as contrações, eu saía andando feito uma doida, em forma de oito (fazia o trajeto de um número 8 no chão). Nos intervalos eu abraçava o Rô, que massageava minha lombar. As contrações já estavam de 2 em 2 min, mas suportáveis. Apesar do TP avançado, eu estava decidida a esperar o Dr. Edmundo. Só que em algum momento eu fui ao banheiro fazer xixi e veio uma contração. Tive vontade de ficar de quatro no chão e assim o fiz. Percebi que era uma posição bem confortável, então fui perguntar à enfermeira se havia algum local em que eu pudesse ter privacidade para ficar de quatro no chão, hehehe... Ela perguntou a intensidade e a frequência das contrações e comentou que era melhor outro médico me examinar enquanto o Dr. Edmundo não voltasse. O Rodolfo novamente foi barrado do lado de fora, e eu fui ficar de quatro no banheiro da salinha onde seria examinada. Um médico entrou, ficou surpreso com o que eu estava fazendo, deu uma olhada na minha ficha e nos exames e me chamou para fazer outro toque. Subi na maca calmamente e a constatação: 7 cm de dilatação. Uau! Eu fiquei muito feliz! Nossa, como o TP estava indo rápido, que legal! Só faltava esperar o Dr. Edmundo, mas... o médico disse que eu teria que ser internada imediatamente. Ele começou a fazer o maior estardalhaço: chamou as enfermeiras, mobilizou equipe, um carnaval só! Eu ainda estava cheia de brincos, com minha roupa normal... eu estava em um ritmo calmo, e todo mundo ficou tenso à minha volta. Uma enfermeira ficou me apressando para tirar os brincos e a roupa, colocar o avental. O Rodolfo foi chamado para pegar as minhas coisas e instruído a ir dar entrada na minha internação. Já era mais de 13h e nada de o Dr. Edmundo chegar.

Fui cumprindo o protocolo calmamente. Quando fui tirar a calcinha, saiu o meu tampão mucoso de uma só vez. Fiz a enfermeira pegar algo para eu me limpar, e ela desesperada querendo que eu fosse daquele jeito mesmo. Mas eu me limpei devagar e comentei que a bolsa não havia rompido ainda, que eles não precisavam se apressar, e então ela disse que geralmente era o médico que estourava e que eu tinha que ir logo. Isso me deixou brava, pois eu não queria que absolutamente nada fosse forçado, eu queria que a bolsa estourasse sozinha (sei lá como defini essas regras, mas curiosamente eu tinha na minha cabeça o que podia e o que não podia). Já limpa e com o avental do hospital, fui acompanhar a enfermeira para onde ela queria me levar. No trajeto, ploft! Minha bolsa estourou e todo o líquido branquinho lavou o corredor. Eu fiquei muito feliz, e ouvi pessoas à minha volta comentando, desesperadas: "Nossa, a bolsa dela estourou!" "Mas quem é ela?" "É a 7 cm pélvico!" "Nossa, a 7 cm pélvico estourou a bolsa, meu Deus!!!". E eu achava graça e comentava: "Mas tem algum problema na bolsa estourar? Não é normal?". A enfermeira, mais desesperada ainda, me fez trocar o avental por um outro limpo e me colocou em uma maca na tal sala das dores, onde já tinha outra paciente deitada gemendo (que acabou fazendo uma desnecesárea às 16h). Ouvi a equipe preparando a sala de cirurgia. Nesse momento eu me dei conta de que o Dr. Edmundo não chegaria a tempo e que em breve eu sofreria uma cesárea. Foi quando entrou outro médico grisalho na sala (o Dr. Paulo), entusiasmado, esfregando as mãozinhas, dizendo: "Oba, adoro um parto pélvico!". Eu perguntei se ele também fazia esse tipo de parto e ele respondeu: "Sim, eu e o Dr. Edmundo fazemos! Mas vou precisar muito da sua ajuda, você terá que fazer bastante força." Novamente transbordei de felicidade, disse que faria tudo o que fosse preciso! Ele me examinou de novo e disse que eu estava com dilatação total e que havia pegado um pezinho. Muito feliz, eu pensei: "Então é isso? Mas eu não sofri, não gritei. Como estar em trabalho de parto é gostoso! Que bom, que bom!".

Só que aí escutei burburinhos ali fora: "Mas quem vai decidir será o Dr. Chu." Quem diabos era Dr. Chu?. Foi quando entrou um médico jovem, chinês, que me examinou, sério, e ordenou que alguém preparasse a raque e que me levassem para a sala de cirurgia, que era em frente. Lá, o Dr. Paulo, meio chateado, falou que o horário dele era até as 13h e que o Dr. Chu que faria meu parto. Como assim?!?!!? Eu supliquei que ele fizesse, defendi o direito de escolha da paciente, devo ter falado várias asneiras, não me lembro bem, mas nada adiantou. Nessas já estavam aplicando a anestesia nas minhas costas. Deitada, lembro de ver o Dr. Chu e o Dr. Paulo conversando e fazendo gestos. Deduzi que era a mímica da manobra que precisaria ser feita para colocar o pezinho do Caio no lugar e fazer o parto normal. Mas aí o Dr. Chu se aproximou e perguntou o que haviam me falado. Eu disse que sabia que não era qualquer médico que fazia parto normal pélvico, mas que eu queria muito e tal. Ele olhou nos meus olhos e, sério, disse: "Vai ser cesárea." Já não havia o que eu pudesse fazer, não sentia mais nada lá embaixo e meu bebê ia nascer.

Os médicos todos começaram a se apresentar (e eram vários, pois havia residentes assistindo, entre eles a moça maquiada que cutucou minha membrana de manhã, como se precisasse acelerar alguma coisa). Lembro de ter pedido para o pediatra ser bonzinho, não levar o bebê embora, deixá-lo mamar na primeira hora. Para meu alívio, ele foi concordando com tudo. Oba, mais um ponto positivo! Aí todo o circo foi armado e começou a minha cesárea às pressas. Pedi que chamassem o Rodolfo. Nossa, que demora para ele chegar! (Deve ter sido uns 5 min, hehehe.) Tadinho... estava com dificuldades para fazer minha internação, pois não éramos casados no papel. E eu já sendo operada, haja burocracia!

Fiquei então olhando para o teto, sem sentir mais nada. Mas foi emocionante ver o Rodolfo todo estabanado colocando a máscara, a touquinha, arrumando o avental e entrando para se sentar ao meu lado. Ufa, daria tempo de ele ver o parto! Pedi que ele fosse descrevendo tudo, já que eu não conseguia ver nada, mas ele ficou mudo, olhando para a minha barriga e para o que acontecia ali. Insisti que ele narrasse o que via, e ele, emocionado, disse: "Quel, está saindo um pezinho! Está nascendo!". Foi quando eu percebi que podia ver o parto através do reflexo da luminária do teto! O Rodolfo disse que estava saindo o bumbum e eu, feliz, disse que conseguia ver! Às 13h38, eu vi pela luminária meu filho nascer!!! Aí o bebê saiu do meu campo de visão, mas ouvimos o chorinho. O Rodolfo me beijava e repetia: "Ele é lindo! É o bebê mais lindo que eu já vi!" Conforme prometido, rapidamente o Caio, embrulhado em um paninho, foi colocado ao lado do meu rosto. Fui fazer um carinho, mas minha mão estava amarrada! Consegui convencer alguém a soltá-la para que eu pudesse tocá-lo. As lágrimas corriam, e eu beijava meu filhinho maravilhoso, de 2.955 kg, 47 cm e apgar 9-10-10.

O pediatra pediu licença então para examiná-lo, o que, para minha alegria, foi feito em um bercinho ali do meu lado. Não saí de perto do Caio nem por um segundo, que bom! Eu fiquei olhando pra ele, que ficou bem quietinho enquanto os médicos finalizavam o que tinha que ser feito na minha barriga. O Rodolfo já tinha sido levado embora nessa hora. Chegou então o Dr. Edmundo, dando os parabéns e dizendo que eu estava em boas mãos, que o Dr. Chu era ótimo. Senti um certo ódio do cinismo dele, mas acho que ele imaginou o que se passava na minha cabeça e só tentou amenizar um pouco a situação. Bom, a caminho da sala de recuperação pós-anestésica, o Caio foi colocado do meu ladinho na maca e uma enfermeira ajudou-o a pegar meu peito. Que delícia! Ele mamou por uns 20 min.

O Rodolfo brinca que o Caio chegou trazendo boa sorte: fui encaminhada para um quarto particular, privilégio apenas de alunos USP. Isso foi outro ponto positivo, pois em qualquer hospital do meu plano eu ficaria em enfermaria e o Rodolfo não poderia passar as noites comigo. Lá no HU ele ficou comigo o tempo todo!

A minha recuperação foi a melhor possível: quase não senti dores, não saiu nenhuma secreção do corte, não tive inchaço além do que já tinha durante a gravidez e me movimentava sem dificuldades. Sucesso total! Toda a equipe comentava que não parecia que eu tinha feito cesárea. No fundo acho que tive um parto normal sim, com o pequeno detalhe de que o bebê saiu por um corte na barriga, e não pela vagina. Acho que meu corpo reagiu de acordo com esse raciocínio. O Caio estava 100% saudável também. A única dificuldade foi com a pega do peito no começo, mas tivemos uma ajuda fundamental das pediatras e no terceiro dia ele já havia aprendido a mamar direitinho.

O HU não é nada preparado para um parto humanizado, mas senti que consegui conduzir a situação para que fosse a melhor dentro do possível. Saldo positivo!

Acho que Deus escreve certo por linhas tortas, afinal. Do jeito que tudo correu, provavelmente o plano de ir até Sapopemba nem daria certo. Pegaríamos o maior trânsito para chegar, talvez nem desse tempo. Agora eu e o Rô combinamos que o próximo filho nascerá em casa. Teremos informação e tranquilidade para deixar tudo preparado direitinho, com antecedência. Mas isso só daqui uns 3 ou 4 anos...





29.6.09 (21:00)
Ok, agora posso dizer: estamos fabricando uma pessoinha linda! Tudo bem, eu sou a fábrica, mas o Rorrô entrou com metade do capital, hehe...
Por enquanto estou experimentando as mudanças hormonais, que realmente fazem loucuras com a nossa cabeça! Estou absurdamente mais emotiva e sensível. Eu vejo a caixinha de lenços e fico com vontade de chorar. Acho que só de lembrar que lenço de papel serve para enxugar lágrimas já fico emocionada! É tão lindo chorar de emoção, né, gente? Aí eu paro e me pergunto: "mas estou chorando de alegria ou tristeza?". E então paro de chorar, porque essa dúvida intrigante me distrai. Penso, penso... e acredita que eu continuo na dúvida? Mas como a gente consegue não saber se está feliz ou triste?!?! Pois é... bem-vindo às alterações do beta-HCG.
Eu tinha muitas dúvidas quanto a coisas de gravidez, porque de fato não havia planejado isso... e ainda não tinha tido coragem de buscar na internet por preguiça da quantidade infinita de informações que eu teria que filtrar e do tempão que eu gastaria na frente do computador. Mas graças ao meu primeiro presente de mamãe, o livrinho que a Lau me deu, ganhei muito tempo e todas as informações possíveis e muito mais! Ok, um problema a menos!
Agora só restam as outras seis milhões de dúvidas: Onde vou morar? Vou ter dinheiro? O neném vai nascer perfeitinho? Vou me entender com o Rodolfo ou a gente vai discutir a cada mínima decisão? O que vou fazer quando acabar a licença maternidade? Vou conseguir trabalhar quando acabarem as férias? E assim por diante...
Ainda bem que nunca teve nenhum problema na minha vida que eu não conseguisse superar. Lembrar disso sempre me tranquiliza. Eu só fico ansiosa para pular logo a parte mais confusa... mas a gente sempre sai de uma e entra em outra, não é mesmo?



18.6.09 (10:01)
Tirando alguns compromissos quase acabados com o trampo, estou de férias desde a semana passada. Logicamente isso me dá um tiquinho mais de tempo para ler blogs calmamente em casa.
Agora há pouco atualizei algumas leituras, provavelmente muito menos que usuários mais frequentes, mas mesmo assim me bateu uma pontinha de inveja de quem leva a sério seu blog. Eu já assumi que esse não é o meu perfil e abandonei qualquer culpa, mas nada me impede de vir aqui e dar uma postadinha, né?
Acho que a única coisa que lamento mesmo é ainda não saber atualizar as partes sobre mim, as fotos, essas coisas extra-blog. Mas tudo bem... passaram apenas 6 anos desde que o blog foi criado, hehe... Um dia eu converso com a Lau e peço pra ela me passar as coordenadas de como se faz isso. Um dia...

Em julho de 2007 eu tinha uma listinha de pendências. Vamos ver como me saí? (Note que, no meu caso, 2 anos é um prazo ótimo para coisas simples, como arrumar o guarda-roupa.)

Twingo:
Comprei um carro zero no ano passado e me livrei de várias dores de cabeça. Belo avanço, não?

Outros:

Tudo ok. Yes!

Quero comprar:

Satinelle comprei faz tempo, fiz bem melhor que comprar um pc, tenho câmera no celular e ganhei o perfume de presente (mas já acabou). Yes!!!

Quero fazer:

Emagreci 28 kg nos últimos 4 meses (se bem que pelo que engordei desde 2007, ainda tenho um saldo de 15 kg pra perder, credo!), desisti da escova progressiva, jamais fiz uma drenagem linfática, fiz aulas de dança de salão e já parei, substituí o curso de teatro e a aula de canto pela faculdade de Secretariado.

Em um futuro próximo:

Hummm... até o fim deste ano eu resolvo isso!

Enquanto isso, perco o sono com coisas muuuuito mais sérias que me aguardam. Tou com muita vontade de sair contando pra todo mundo, mas não posso por enquanto. Este post na verdade é uma confissão.
Se, por acaso, alguém passar aqui, ler e me perguntar do que se trata, quem sabe eu não dou uma contadinha em segredo?

Beijo, fui!

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24.6.08 (21:44)
Sabe por que eu não postava mais? Acho que há uma explicação. Vou tentar me expressar.
Tudo tem a ver com uma dificuldade intrínseca na minha vida de cumprir deveres. Até as coisas mais divertidas, quando ganham ar de obrigação, deixam de me interessar. Isso se aplica a postar no blog, atualizar as fotos do Orkut, manter contato com amigos...
Pois é! Acho que este post se tornou uma confissão: se é necessária alguma iniciativa para manter o contato com alguns amigos, isso ganha um ar de obrigação e, logo, eu inconscientemente crio forte resistência.
É uma mistura de preguiça, com culpa, com raiva, com saudade, com indiferença, com angústia... Logicamente, isso se torna uma bola de neve.
Sem contar que a preguiça fica ainda maior em pensar em tudo que eu perdi durante esse isolamento, no quanto demoraria até eu me atualizar, me sentir à vontade.
É como assistir a Lost. Eu sei que é bom, muuuitas pessoas já indicaram fortemente, mas eu simplesmente não consigo assistir. Cheguei a ficar meses com os DVDs da primeira temporada emprestados, mas sequer tirei-os da caixinha. Eu sabia que começar a ver Lost seria um caminho sem volta, que se tornaria uma obrigação. Sem contar a consciência de que, mesmo assistindo a todos os episódios disponíveis, eu continuaria sem saber o final.
Será possível converter essa angústia em singela alegria?



6.2.07 (22:15)
Um adendo: entrei agora há pouco pra atualizar e li o post de 1.7.06. A frase inicial era: "Minha vida nunca foi tão atordoada como está agora." Nossa! Hoje eu jamais pensaria em começar um post assim, afe!
Isso me fez pensar que tenho dificuldade em me identificar até comigo mesma há alguns meses. Que dirá ficar totalmente em sintonia com outra pessoa? E se essa pessoa for totalmente diferente de mim então? Praticamente impossível. Mas nada é impossível para a Super Reitchel!
Como ele pode ser tão perfeito? Lembrar de tudo o que eu já disse, de cada data, de cada centímetro de mim? Ele me faz querer escrever erratas no meu blog dizendo que o amor existe sim, bem como a fidelidade.
A propósito, estou vomitando felicidade, saiam da frente!



(21:02)
Enfim, atendendo a ordens (afinal, pedidos de mestres são ordens), vim atualizar o blog.
Acontece que a demora nessa tarefa não foi fruto apenas da preguiça ou da falta de tempo, mas da crise que o ato em si representa.
Isso porque não basta vir aqui e relatar minhas últimas vivências, pois ficariam desatualizadas, nem expressar meus sentimentos atuais, porque exporiam a intimidade de terceiros. Como conciliar a vontade de me comunicar com a discrição com a qual passei a levar minha vida? (Ah tá, conta outra!!!)
Não tenho tido muitas angústias também (que geralmente proporcionam ótimos posts); ou talvez não tenha tido vontade de dividi-las. Mas na verdade acho que não quero é arrumar sarna pra me coçar.
Estou em um momento de muito aprendizado - e também de abandono de velhos hábitos. Como sempre, as coisas não têm vindo fácil, mas com isso já estou acostumada.
Isso me fez lembrar de uma sensação que eu sempre tinha quando era criança. (É sempre bom lembrar de episódios da infância nos posts, né? Já passaram; a gente era inocente... Perfeito!) Eu lembro que eu tinha a convicção de que o momento mais apavorantemente angustiante possível da vida de uma pessoa era a véspera de uma prova de História. Sempre que era o caso eu pensava: "pronto, estou na pior situação em que eu poderia estar; nada pode ser pior do que isso". Ai ai ai...
O que eu poderia comparar hoje a uma véspera de prova de História? Enfim... eu combinei de não falar de angústias, certo? Mas acho que a indecisão quanto a onde passar o carnaval é uma boa candidata.
Vou pensar mais um pouco e continuo depois. =)



10.7.06 (00:19)
Lista de pendências:

Twingo:

Outros:

Quero comprar:

Quero fazer:

Em um futuro próximo:





1.7.06 (00:11)
Minha vida nunca foi tão atordoada como está agora. Nossa, estou lidando com situações pelas quais nunca imaginei passar. Chegou a um ponto em que não sei se é bom ou mau.
A minha mãe se preocupa porque chego tarde em casa quase todo dia, fala pra eu ter juízo, mas salienta que se eu estou fazendo o melhor pra mim, tudo bem.
Aí eu não sei o que dizer, porque não sei o que é melhor pra mim. Mas respondo que sei o que estou fazendo. Mentira!!!
Acho que inverti todos os papéis da minha vida! Às vezes pareço mãe da minha mãe; às vezes sou cachorra com os homens; às vezes sou mais irresponsável que minha estagiária; às vezes preciso cobrar responsabilidades do meu pai...
Agora eu não sei se estou feliz ou triste, animada ou bodeada. Estranho... quero tudo ao mesmo tempo, até os sentimentos opostos!
Quero escrever um post legal, mas até pra isso estou confusa. Acho que um dia eu escancaro tudo de vez! Ou me torno um mistério de vez, o que seria mais radical (afinal, não gosto de admitir, mas sou fofoqueira pra caralho).
Enfim... adoro comportamento humano!!!



7.5.06 (01:05)
Engraçado... neste exato momento, enquanto teclo com uma amiga do trampo e com a priminha do meu ex-namorado no messenger, estou tentando fazer um trabalho pra facu sobre a publicação de best-sellers. Para esse tema, preciso discutir a questão da publicação de obras sob encomenda. Isso me fez lembrar que eu não atualizava meu blog há um bom tempo (?).
Não que eu escreva sob encomenda, absolutamente, mas neste caso, é como se fosse... uma pessoa reclamou que eu não atualizava nunca, aí eu pedi que sugerisse um tema para o próximo post. Sua exigência foi: "fale de alguma coisa que não esteja relacionada com o amor". Na hora eu estranhei, porque isso foi uma crítica, como se eu sempre escrevesse sobre amor. Como na hora eu não lembrava dos meus últimos posts, deixei quieto, mas depois vi que eu não escrevia tanto assim sobre amor, oras!!! Mas tudo bem, porque depois fiquei sabendo que essa certa pessoa só tinha lido um post meu e "deduziu" que eu só falasse disso, como se fosse uma teenager bobinha. Que ódio!!! Bah! Essas pessoas pretensiosas metidas a sabixonas...
Só sei que na hora eu combinei que escreveria, então, sobre o problema de comunicação entre as pessoas. Interessante, não? Agora vejo que tinha tudo a ver!!!
O problema é que agora já escrevi demais e se eu for começar a desenvolver o tema, não haverá quem agüente. Aliás, sou sensata, sei que já é difícil achar voluntários para meus textos sempre longos...
Enfim... na próxima eu volto e falo sobre os problemas de comunicação entre as pessoas. Ou não.
Posso fazer só mais um comentário? Essa priminha do meu ex tem 12 anos hoje. Considerando que não há vejo há uns 5 anos, a última vez que a vi ela tinha no máximo 7!!! E o melhor é que hoje a gente troca idéia normalmente, como se ela fosse a mesma pessoa daquela época... afe!!! Vai entender...



17.3.06 (17:34)
Ai ai ai... acho que sou bruxa, viu? Nunca escrevi algo tão premonitório assim, viu? Sim! Eu preciso mesmo aprender a me desapegar das coisas, tudo é passageiro!!! Estou tendo que me desapegar do bem material mais valioso, precioso, desejado e querido que já conquistei na minha vida! É triste, não é justo!!! Mas ainda tenho a minha vida... dela ainda não vou ter que me desapegar...
Ok... Querem ler um texto que escrevi pra uma matéria de produção de textos da facu? É bonitinho... lá vai:

Sinal Amarelo

Aquela criatura tem os olhos brilhantes, mas não se vê neles muita esperança. Talvez brilhem pela umidade das lágrimas recolhidas. É verdade que o canto dos olhos têm um pouco de sujeira, assim como as unhas de sua pequena mão que esfrega na testa para limpar o suor.
O vermelho indica a hora de trabalhar. Não conta as horas do dia, mas sabe bem a hora que a fome aperta. É remunerado por tempo de serviço, uma espécie de comissão. Suas habilidosas mãos são sua força de trabalho, em que pequenas bolas ou bastões são transformados em arte.
Sua expressão de seriedade quando se distrai, alternada com olhos caídos, testa franzida e ombros para a frente transparecem algo diferente. Não é como as outras pessoas, não foi criado da mesma maneira, amadureceu cedo demais. É seu próprio empresário, teve de aprender logo cedo os segredos do mercado, pois não são todos que aceitam comprar seus serviços. Muitas pessoas, inclusive, os rejeitam severamente, sequer aceitam uma demonstração. Mas ainda assim teve sorte de ter seu próprio negócio. Muitos de seus colegas trabalham muito mais e têm de repassar a maior parte do que recebem a seus patrões, geralmente familiares. Conseguiu essa autonomia por ter tido atitude. As bolas mal cabiam em suas mãos quando já se arriscou a ganhar a vida dessa forma.
Agora pensa em mudar de profissão, pois não conseguiu muito reconhecimento na atual. A concorrência anda muito grande, há muitos postos de trabalho semelhantes. Pretende continuar no mesmo ponto, mas quer uma promoção. Ouviu falar que com um pouco mais de atitude pode conquistar mais coisas, "conquistar" de fato seus clientes. O verde indica seu intervalo. Mesmo intervalo em que conta o faturamento do período, ajeita suas ferramentas, às vezes divide algumas palavras com um colega. A maior lição que aprendeu com isso tudo é que sempre se está sujeito a cometer erros, e maior será o talento quanto melhor se souber driblá-los. Isso também se reflete na sua alma pequena, que luta para não decidir mudar de profissão... e partir para o que se chama crime.




12.3.06 (22:52)
Vou escrever pra ver se passa um pouquinho da minha ansiedade...
Eu e essa minha maldita ansiedade. Se tem uma coisa da qual não consigo me separar é dela... eu fico ansiosa por ser tão ansiosa! Bem que minha mãe dizia, desde que eu era pequenininha, que eu sempre queria as coisas na hora em que decidisse. Eu não sei esperar. Mais um motivo pra eu não querer ter filhos...
E pra variar, cá estou eu de novo me dando conta de como as coisas podem mudar de repente. A gente não sabe mesmo de nada nessa vida! Não é apenas aconselhável, é imprescindível a gente aprender a não se apegar às coisas. Acho que essa deve ser a maior lição de todas que a gente tem que tirar da vida, se é que a gente tem que tirar alguma... Não faz sentido? É aquela velha história da gente só ter certeza de que vai morrer um dia. Já se deu conta do quanto é doido a gente saber que não pode se apegar nem mesmo à própria vida, a única coisa que está presente 24 horas por dia? Essa é a melhor prova de que tudo, tudo é passageiro. Nada, nada que a minha mente ansiosa espera tanto importa o mesmo tanto! Afe... eu preciso acreditar no que estou escrevendo, preciso!
Eu sou cética, não sei de onde vim nem pra onde vou. Eu acredito em signos por conclusões empíricas, senão não acreditaria também. Mas também acho que não sou ninguém pra duvidar, sei lá... acredito que as coisas não acontecem por acaso. Não sei quem poderia estar nos "testando", mas de alguma forma acontecem coisas bizarríssimas na nossa vida que só podem servir pra fazer a gente pensar.
Poxa... eu acho que sou uma pessoa prática, esclarecida, vacinada contra várias coisas... mas continuo sendo emotiva, óbvio. Eu simplesmente sinto, não dá pra evitar! Não que eu não saiba lidar com o que sinto... acho que é aí que me dou bem. Mas eu sinto, intensamente! E por isso eu me controlo, pra manter o equilíbrio. O excesso de sentimentos muitas vezes cega a gente. Às vezes é até entorpecente, faz a gente ter verdadeiras alucinações, ver coisas onde não existem.
E por pensar tanto, acho que não sou uma pessoa vazia... e não gosto de pessoas vazias. E adoro quando sinto que tenho afinidade com alguém! Eu escrevi um post todinho sobre isso há algum tempo... eu sempre soube que a afinidade é ultramegahipersuperafrodisíaca pra mim. Eu nem sei descrever o que é preciso pra configurar a afinidade, mas é incrível como eu tenho um alarme interno que nunca erra ao avisar que ela existe. E isso acontece com pessoas de todos os tipos, não tem um padrão não...
Por exemplo, nessa sexta-feira eu tive esfregado na minha cara um ótimo exemplo disso. Duas pessoas tão absurdamente diferentes, mas com as quais tenho muuuuuuuuuita afinidade, apareceram nesse dia pra abrir meus olhos. Gosto de ambas? Sim, muito! Elas me deixam feliz? Sim, muito! Sempre? Não, quase nunca!!! Na maior parte do tempo só tenho dor de cabeça, viu?
Será que é mais importante a união da lealdade com a ética e a confiança, ou a do carinho com a lábia e a ternura do olhar? Eu sou tão sincera e preciso tanto ver sinceridade nas pessoas! Senão não me sinto segura. Preciso confiar... mas como é difícil confiar sem sentir reciprocidade! Que necessidade que eu tenho de dividir os sentimentos; de me abrir e ouvir, me aproximar... Mas também não adianta poder fazer tudo isso, mas logo depois ter o tapete puxado e cair de bunda!
Mas também, o que estou dizendo? Eu não tenho que escolher nada! Só estou tentando organizar o que é por natureza caótico. Paciência se essa tentativa me fizer tomar decisões precipitadas ou tardias demais... Não vou cansar de tirar lições disso. Ainda estou praticando a arte do desapego.



16.2.06 (02:52)


Ok, vamos falar de cinema. A-há! Enganei você!!! Quem me conhece sabe que eu não me sinto muito à vontade falando de cinema, porque não sei onde passei minha vida inteira que não assisti a filmes básicos que qualquer um precisa ver para poder se dizer um cidadão normal. Ok, para tentar recuperar o tempo perdido ou, no mínimo, me redimir e planejar ser mais interessada, consegui uma lista de filmes imperdíveis que começou pequena e, com a ajuda de amigos, está cada vez maior. Agora me orgulho de dizer que já assisti a uns 4 ou 7 filmes dessa lista, uêba!!! Bem, tudo isso serve para dizer que um desses filmes era o Matrix. Sim, eu não tinha visto Matrix até algumas semanas atrás. Não, não tinha. Tá bom, sei que é absurdo, mas não tinha.
Enfim... eu assisti. Mas isso também não vem ao caso. Eu só disse tudo isso mesmo pra contextualizar o que vou dizer no post de hoje:
Eu me dei conta de que, definitivamente, sou a pessoa que tomaria a pílula vermelha. O verdadeiro estereótipo. Isso porque sempre digo que detesto me sentir feita de boba, prefiro sofrer e remediar depois, não deixar de fazer o que tenho vontade. Jamais optaria pela ignorância acomodada. Beleza. Eu, pensando comigo, chego a achar que é inevitável pensar assim. Chego a achar que ninguém optaria pela pílula azul. Mas aí tomo consciência de que é muito ingênuo pensar assim. Não sei se é triste, se devo dizer que "infelizmente" há quem prefira viver na alienação e manter-se relaxado. Mas como existe, não? Será que no fundo é por isso que não gosto de fumar maconha? Acho que não consigo aceitar a idéia de não ter controle sobre meu estado de humor... ou simplesmente não consigo relaxar apenas sob o efeito dessa droga, porque minha mente funciona demais para deixar-se dominar. Deve ser isso, de modo que a bebida, por exemplo, desliga esse mecanismo imediatamente, mas isso não vem ao caso.
Agora me diga se é possível o estereótipo da pessoa que tomaria a pílula vermelha passar muitas horas agradáveis com o estereótipo da pessoa que tomaria a pílula azul sem titubear? A resposta é sim, com certeza!!!
Beijinhos!



22.1.06 (03:56)

Bem que eu li em algum horóscopo que alguém me deu no fim do ano passado que o começo de 2006 seria marcado por mudanças digamos... nos meus relacionamentos de amizades. Não que eu tenha mudado meu círculo de amigos, mas a minha maneira de me relacionar com ele. Estou começando a me sentir mais segura para juntar os amigos, apresentar pessoas, arriscar promover programinhas... E pra me ajudar nessa tarefa, estou decidida a tentar ser menos encanada. Ok, estou convencida de que me preocupo demais em agradar as pessoas, em deixá-las à vontade... confesso que boa parte disso tem a ver com meu jeito de ser mesmo, e acho que será difícil mudar; mas em parte é exagero mesmo. Estou aprendendo algumas lições muito simples e importantes, como tocar um fôda-se pras coisas inúteis. Simples assim. As pessoas falam tanto em tocar um fôda-se, e não é à toa. Mas para pessoas como eu isso nem sempre é fácil. Mas eu andei treinando, entrei um pouco na brincadeira e... nossa, não é que funciona?! Sabe de uma coisa? Tá tudo bem, tudo lindo!!! O único problema são os problemas, mas me deixe dar minhas piradinhas que fica tudo certo. Aliás, já me acostumei que no final eu sempre me fodo. É... pro post não ter um final feliz assim de cara, admito que tem certas coisas que teimam em sempre dar errado pra mim, são sempre do mesmo jeito. Pelo menos eu tenho consciência, o que me deixa preparada. Melhor do que ser ignorante. Se bem que um imbecil nunca morre de tédio. Beijinhos!!!



12.12.05 (01:58)
Gente, vou fazer algumas coisas que não costumo, mas esta é uma situação emergencial. Não costumo falar da minha vida amorosa e sentimental, nem expôr outras pessoas... mas meu ex-namorado, vulgo Bruno, não é a cara do ator hollywoodiano Orlando Bloom?





11.12.05 (23:19)

Hoje o post vai ser vazio e comum (pra lembrar dos velhos tempos).

Eu continuo preguiçosa, mas acho que melhorei muito. Ainda deixo a desejar no cumprimento de horários, pontualidade, compromissos... mas acho que tou mais responsável.
Ainda deixo de fazer um monte de coisas que deveria, como arrumar o quarto e ligar pra amigos queridos pra não perder o contato, mas até tenho feito trabalhos da facu, ido às aulas, feito uns freelas... providências burocráticas eu tenho mantido em dia, como pagar o cartão de crédito, reconhecer firma, fechar conta do banco, ir ao médico...
É engraçado... eu não me considero uma pessoa de muita iniciativa, ou melhor, não me considero muito criativa. Claro que às vezes resolvo fazer uma tatuagem ou trocar de carro, mas é raro. Mesmo assim, sempre tenho tantas coisas pra fazer! Eu gosto de reparar como cada dia eu tenho um compromisso, mesmo que eu não tenha planejado ter tantas atividades. Por exemplo, na sexta-feira de manhã eu fui fazer vistoria do seguro. À noite eu tinha que vir pra casa fazer um freela e depois ir num pub ver meus amiguinhos tocarem. Não deu tempo de acabar o freela, fui no pub mesmo assim, morrendo de sono. Terminei a bagaça no sábado 1h30 da manhã e ainda fui pra balada com uns amigos comédia presenciar a bebedeira e a putaria deles. Amanhã tenho ginecologista de manhã. À noite eu queria ir na casa do meu pai assistir ao dvd do Falamansa que já comprei há umas duas semanas mas não tive tempo ainda de ver. Só que eu preciso passar na loja onde comprei o carro pra deixar os documentos do escortinho. Meu, que horas vou fazer isso? Na terça de manhã eu tenho que apresentar o último trabalho da facu, que nem sei em que pé tá, porque o grupo já tá saturado de resolver problemas e tocou meio que um foda-se. Será que consigo passar na loja terça à noite? Puts, até lá o vendedor vai ter razão de dizer que desde que eu peguei o carro não quis mais saber de nada.
Ai que vida besta! Mas eu adoro!



10.12.05 (16:38)
O post de hoje vai ser clichê e brega, prepare-se.
A gente vive sonhando com coisas que não temos, certo? Mas sabe o que eu tava pensando? Eu me dei conta de que tenho tudo que eu quero. Se eu não tenho, é porque não quero de verdade. É sério... não sei explicar... mas eu percebi que tudo que eu reclamo que não tenho, se eu quisesse muito ter, eu poderia. Talvez o ponto não seja ter o que quer, mas escolher o que vem primeiro. Acho que é isso. A gente só precisa de paciência pra ir conquistando aos poucos. É uma questão de definir prioridades.
Por exemplo, eu poderia reclamar que estou sozinha, mas no fundo resolver esse "problema" não é prioridade pra mim. Se eu quisesse meeeeeesmo, sei lá, poderia estar num chat marcando encontros em vez de estar aqui. Tudo bem, é trash, mas se fosse uma emergência seria válido. Acontece que eu tou me lixando.
Cada hora eu invento uma coisa pra encasquetar, e vou dando um jeito. No último post, por exemplo, eu não via a hora de arrumar logo o apê pra ir morar, só pensava nas coisas que ia ter que comprar... o problema é que não dependia só de mim, então vi que não ia rolar. Aí o que eu fiz? Resolvi encasquetar com uma coisa que eu pudesse conseguir sozinha: trocar de carro. E não é que em três dias eu já estava dirigindo meu possante novo? Tou feliz da vida!
Eu sou preguiçosa pra caramba, não sou exemplo pra ninguém de quem cumpre direitinho os deveres, mas posso afirmar que se é assunto de MEU interesse, vixe... odeio desistir por qualquer besteirinha.
Eu tenho pensado também no quanto é importante a gente ser independente. Eu dou muito valor a isso, viu? Ainda falta muito, mas acho que as coisas que mais quero baseiam-se sempre nisso, o que explica por que encontrar o grande amor não é prioridade pra mim. Eu não faço a menor questão de precisar de ninguém, prefiro ter um veículo pra ir aonde e quando eu quiser. Nossa, como sou egocêntrica! Nunca tinha notado!
Mas este não é um atestado de como sou foda, independente, determinada e persistente, jamais!
Ao contrário, é um documento pra eu consultar quando resolver reclamar de barriga cheia. Eu não quero reclamar de barriga cheia! Eu estou feliz, com a auto-estima em dia, contente com o trampo... só fico triste quando não consigo compartilhar com todo mundo as coisas boas. Às vezes só o que eu quero é pôr as pessoas com quem me importo muito, que eu amo bem grandão, no meu colo e não deixá-las ficar tristes nem um pouquinho.
A gente se importa com cada coisa tão pequena, né? Eu fico tão feliz quando conheço alguém com quem me identifico e com quem posso conversar espontaneamente e me sentir compreendida! Vou ousar muito agora e citar alguns nomes, mas antes disso é necessária uma nota explicativa: as pessoas a seguir não são as minhas "preferidas", mas aquelas com quem alguma vez eu já conversei e tive um clique que me disse que alguma coisa batia... Alininha Bruno Chico Cris Dani Douglas Eli Érico Fabio da Wim Gustavo Ingrid JuKu Juliana Reis Lara Lau Lidia Luciano Namor Marcela Maria Vitoria Maurício Milton Japira Milton Quito Paty Rafa Renato Rodolfo. E olha que sorte a minha: algumas dessas pessoas até são minhas amigas...

O que importa?



29.10.05 (20:12)
Ok, vim atualizar.
Estou com fome. Estou na casa do meu pai, provavelmente pela última vez neste endereço. Mudanças e mais mudanças. Quero fazer logo a minha.
Eu demoro pra postar, e sempre vem o mesmo pensamento: demorei um pouquinho e tanta coisa já aconteceu desde então...
Eu já trabalho na Manole há 3 anos e meio. O cenário lá exemplifica bem essa sensação que eu vira-e-mexe tenho, de que tudo pode mudar muito de um dia pro outro. Se for ver quem trabalhava lá quando eu entrei e quem está lá agora, garanto que serão poucas coincidências. E isso só reforça uma puta nostalgia que estou sentindo agora. Sentindo junto com o cheiro do desodorante dele que eu passei sem tomar banho, só pra disfarçar.
Quem era importante há cinco anos... nem lembro mais! Hoje vale quem existe nos últimos cinco dias, mesmo que eu tenha conhecido há mais tempo... porque pode mudar. Quem a gente pensa que é pra achar que pode fazer planos pra sempre? E por que tantas coisas imprescindíveis podem ser ditas e logo esquecidas por ambos os interlocutores? Que ódio disso!!!
E alguém fale pro meu pai parar de me chamar de Evinha? (nome da namorada dele)
Não quero fazer sentido hoje, assim como o dia não está fazendo.
Dei uma pausa no post pra jantar. Meu pai me ajudou a lembrar de algumas coisas da infância que minha memória não foi suficiente pra guardar. Quando eu era pivetinha, mudou-se para a casa em frente à minha uma família de ciganos. E não era uma família pequena não, coloca gente nisso! Na época eu não entendia por que meus pais não se aproximavam "daquela gente". Eu sentia que era preconceito, mesmo sem saber que tinha esse nome. Hoje eu entendo. Meu pai foi contando o que aconteceu com os vizinhos que deixaram os ciganos se aproximarem. "Aquela gente" era abusada, pedia tudo emprestado, e não devolvia depois. Pedia pra usar o telefone pra ligações internacionais, e tudo com uma familiaridade que deixaria qualquer um constrangido em negar. Mas tudo bem, pra mim era só preconceito.
Meu irmão sempre teve amigos meninos na rua, e eu não tinha nenhuma amiguinha... até que conheci duas ciganinhas: Mariana e Valéria. Elas eram tão legais... eu não entendia por que os amigos do meu irmão podiam brincar no quarto dele e as minhas amigas não podiam passar da garagem. Eu também não entendia por que elas, mais velhas do que eu (9 e 12 anos), não sabiam ler e escrever. Eu lembro que as ensinei a escrever seus nomes.
E o mais engraçado foi lembrar de uma velhota que passava 24 horas por dia sentada numa cadeira na frente da casa. Pra cada pessoa que passava na rua ela fazia "pssssssssiu! quer ler a mão?"
Se fosse hoje eu leria.



20.7.05 (01:20)
Atendendo a pedidos, vou desenvolver meus estudos sobre as coisas do coração. Aliás, minha teoria anterior foi pro brejo, pois soube que já tinham chegado a essa conclusão antes de mim.
Ok, pra não falar mais de paixão, vou falar sobre o amor.

Introdução
Pra mim, o amor não existe, é uma invenção do Romantismo. Sim, o Romantismo, movimento literário e blá blá blá, em que havia um herói romântico, uma mocinha apaixonada e... o amor. Acho que só na literatura mesmo ele era possível. Acho que a gente confunde uma união de milhares de sentimentos e chama de amor.

Amor entre casais: sentimento inexistente
Pense comigo: se o amor existe, como pode acabar de uma hora para a outra? Me desculpe, mas o amor que eu aprendi vendo novela (uma espécie de e/involução do Romantismo) teria que ser diferente.
Ok, vamos tentar recomeçar mais didaticamente. Para entender a teoria, é preciso primeiro entender a concepção de amor. Aqui eu vou considerar que amor é um sentimento verdadeiro, eterno, incondicional. E esse tipo de amor realmente existe, mas é o amor fraterno (de mãe para filho, por exemplo). Entre namorados (casados, amantes, ficantes etc.), desculpe, mas é raríssimo, podendo ser considerado estatisticamente inexistente.
Eu acho que entre os casais, o que as pessoas chamam de amor não é amor. Existem sentimentos, é claro, não sou burra! As pessoas realmente se gostam muito, mas se iludem de achar que vai ser eterno. Eu sei que quando a gente está muito apaixonado a gente acredita que vai durar para sempre, que a pessoa é especialmente especial (com pleonasmos, hipérboles e tudo mais), mas cá entre nós, isso geralmente passa. A gente simplesmente mistura sentimentos que, com sorte, aparecem todos juntos, como paixão, carinho, afeto, posse, apego, tesão, ciúme, acomodação, intimidade, e chama a mistura de amor. Mas não é esse sentimento que existe de verdade. A existência do amor é uma ilusão! Se fosse amor, não acabaria e ponto! Já a mistura de sentimentos vai se desfazendo aos poucos, acabando um após o outro, em ordens diferentes, dependendo da relação.
Aliás, daí vem outro possível erro: os sentimentos vão acabando um a um, mas as pessoas geralmente tentam manter o relacionamento por causa dessa ilusão do amor, muitas vezes esperando acabar o último sentimento que restar pra perceber que não vai dar certo. O problema é que enquanto isso vão surgindo vários problemas desgastantes decorrentes da perda, porque geralmente entre um casal os sentimentos que vão sendo perdidos são diferentes para cada um. Aí um exige do outro aquele sentimento que ainda não perdeu e vice-versa. E o pior: é comum ser cometido outro erro imperdoável, que é a traição. [Mas para resolver esse problema eu tenho uma solução, que é o relacionamento aberto, sincero e mutuamente compreensivo (mas não sei se é bem uma solução, porque sei que é difícil encontrar pessoas que, como eu, estão dispostas a ser assim).] Agora, fale para mim se isso não é ruim?
Mas eu não acho errado se apaixonar, se entregar, namorar... talvez casar eu tenha minhas resistências, mas como existe o divórcio...
Sim! Eu acho que todos os relacionamentos estão fadados a sucumbir um dia. É triste, pessimista, mas eu acho. E acho ruim pessoas que insistem numa relação desgastada, mas concordo que em alguns momentos ela pode ser vantajosa. Por exemplo, um casal que já está acomodado e velho pode querer continuar junto porque as chances de conseguir outro relacionamento com mais sentimentos que o atual são mínimas. Mas se alguma das partes ainda acreditar que pode achar alguém por quem sinta um pouquinho a mais, por que não? Cabe a cada um pesar o custo/benefício, analisar quanta boa vontade vai ter pra trocar o certo pelo duvidoso e decidir.

Conclusão
Mas como uma boa teoria que se preze tem que ter o máximo de argumentos possíveis para não ser contestada, vou admitir: eu sei que se eu me apaixonar pra valer de novo, um dia, vou dizer que amo. Isso porque até explicar tudo isso daria muito trabalho e, afinal, qual seria a graça?

Beijinhos carinhosos a todos!



17.7.05 (19:31)
Oi, pessoas! Antigos e novos visitantes!
Ando preocupada... e se eu nunca mais tiver criatividade pra postar alguma coisa? Ok, ok... se todos os problemas da vida fossem esse, tava tudo lindo! E eu sempre digo isso e sempre é verdade, ou seja, a minha vida realmente não tem grandes problemas.
Hoje vou dissertar sobre coisas do coração, porque desde os primórdios tempos desse blog eu não faço isso e por acaso tenho pensado um pouco a respeito.
Antes vou contextualizar algumas coisas. Eu cheguei à conclusão de que definitivamente é impossível encontrar um amor pra sempre, alguém com quem você queira passar o resto da sua vida. IMPOSSÍVEL, entendeu? Primeiro porque "o resto da vida" é tempo demais e ninguém pode garantir o que vai querer daqui a dois dias, que dirá para sempre! Mas até aí tudo bem, é um clichezão, muita gente pensa assim. Mas vai além.
Eu explico: eu até acredito em fidelidade, mas lamento que possa durar - pelo menos espontaneamente, sem nenhum esforço - apenas alguns meses. Quando uma pessoa se apaixona, ela realmente pode só querer uma pessoa. Sente frio na barriga, as pernas bambeiam (?), o coração palpita... aí ela se sente completa, a fome é saciada, ela não sente vontade de ter mais ninguém. Torna-se uma pessoa feliz, plena! Mas invariavelmente esse sentimento acaba depois de um tempo, e o namoro, caso tenha se configurado, acaba perdendo a graça. Nesse momento, não há mais escolha: ou a pessoa torna-se infeliz, ou vai procurar em outras pessoas aqueles sintomas da paixão tão gostosos de sentir. O mais honesto, nesses casos, é terminar o namoro antes de sair procurando, mas geralmente vai tudo junto mesmo.
Ok, ok... tudo balela! Mas qual a novidade em tudo isso?
A novidade é que eu descobri por que as coisas são assim! Sim, eu descobri o segredo da paixão, descobri por que a paixão dura pouco, o motivo crucial, a razão de toda a infidelidade do planeta!!! É muito simples, prestem atenção:
Quando uma pessoa fica apaixonada, muito feliz, vivendo bons e intensos momentos, ela fica transtornada. Passa o dia tendo devaneios e lembranças, excita-se do nada, em segredo, apenas por lembrar-se de alguns momentos. É maravilhoso? Sim. Só que uma pessoa nessas condições não pode levar uma vida normal. Ela teria vontade de cantarolar o tempo todo, não teria concentração pra mais nada! É como viver em estado de pura felicidade, mas ninguém tem o direito de ter essa plenitude! Precisamos de estresse pra conseguir enfrentar o dia-a-dia! Imagine que irritante alguém vomitando felicidade o dia todo!!! É humanamente inviável. Por isso Deus fez a gente assim, incapaz de apaixonar-se por muito tempo. Pra gente poder viver além da paixão. A paixão acaba tomando toda a nossa energia, todo o nosso tempo. E infelizmente não é fácil encontrar pessoas com quem se pode ter afinidade, por quem se apaixonar e - o mais difícil - ser correspondido. Se todos pudessem encontrar a cara-metade, acho que não teria problemas, todos se apaixonariam por tempo indeterminado. Mas a natureza é perfeita, o ecossistema é equilibrado. Isso permite a variabilidade e a inconstância das relações, pra todos terem a chance de viver na mesma sociedade.

Gente, por favor, heim? Quem me conhece sabe que não precisa acreditar em nada disso, né? Mas que graça tem a gente chegar a conclusões malucas e não contar pra ninguém? Você não achou a conclusão maluca e sim estúpida? Ora!!! Vá procurar sua turma!!!
Amo todos vocês!
Beijinhos da Quequel!



5.6.05 (21:25)
Nossa, é mesmo! Eu tenho um blog de novo!!!
Mas tudo bem, porque só o que eu preciso agora é de tempo nessa vida! E postar não fica fora desses compromissos deixados pra segundo plano... junto com fazer trabalhos da facu, arrumar minhas coisas, lavar a louça, acordar cedo e todas essas coisas que a gente não precisa fazer. Errr... acho que preciso rever minhas prioridades.
Ok, ok.
Agora que sou dona de casa, de tempos em tempos vou até a casa da minha mãe com minha muda de roupas sujas para lavar na máquina, que eu não sou boba nem nada. Isso geralmente acontece aos domingos - à noite, porque fico enrolando o dia inteiro com preguiça de sair de casa. Hoje ia ser um desses domingos, se não fosse o meu pai ligar de manhã me chamando pra passar o dia com ele: "Você vai lavar roupa? Vem lavar aqui em casa!" Estou falando isso porque meu pai é ótimo em contar histórias, eu deliro de ouvir ele relatar suas experiências das épocas em que ele trabalhava em empresas como Cobra, Digitec ou Olivetti. Hoje, enquanto almoçávamos, pedi que me contasse alguma loucura que ele fizesse, porque suas histórias sempre são inocentes. Ele disse que o máximo que fazia era ir, quando tinha uns 17 anos, no autódromo de Interlagos para ver corridas e pulava o muro pra não pagar ingresso. Disse que uma vez ele teve o maior trabalho pra pular o muro, mas quando conseguiu, viu vindo uma cavalaria pra pegá-lo. A volta foi muito mais rápida e fácil! Nesse mesmo dia, sem saída, ele comprou um ingresso porque a corrida já ia começar. Só que quando ele foi entrar, tinha dois caras pra pegar os bilhetes; ele fez que ia em um, mas na hora acabou indo no outro, um achou que ele tivesse entregue o ingresso pra um e vice-versa e quando viu tinha entrado sem entregar o ingresso pra ninguém. O que ele fez? Foi até o muro, jogou uma lorota pra alguém que estava na fila do lado de fora e vendeu pelo mesmo preço que havia pago. Que beleza!!!
Ele contou também que na época não havia refrigerante e cerveja em lata, era tudo vasilhame de vidro retornável. Quando as pessoas iam ao autódromo (no caso, mas isso valia pra outros eventos, imagino), elas compravam refrigerantes nas barraquinhas e pagavam mais caro pelo vasilhame. Quando acabassem, era só voltar com o vasilhame vazio e o dinheiro da diferença era devolvido. Claro que entre todos os consumidores de refrigerante, muitos acabavam deixando os vasilhames jogados por lá e iam embora. Imagino que essa tenha sido a origem dos atuais catadores de latinha. Moral da história: além de pular o muro e assistir às corridas de graça, meu pai ainda catava vasilhames jogados no final e recuperava um dinheirinho.
Não é uma boa história? Então boa noite, crianças! Vou assistir a um filme xis agora.



16.5.05 (04:05)
Oi, crianças!
Vou ser breve porque estou absolutamente quebrada. Só digo uma coisa: ninguém merece fazer faxina de madrugada!
Fiquem com o papai do céu!

ps.: Não sou anti-social e nem sem-amigos. Acho que os comentários dos posts antigos foram perdidos mesmo. =)



8.5.05 (18:43)
Essa manifestação abaixo é da minha querida amiga Lau, que é a real responsável por eu ter um site. É nítido que este blog ficou muito tempo sem atualização, mas isso se justifica pelo fato de ter dado algum problema incompreensivelmente virtual. Nota-se também que a Laurinha resolveu o probleminha pra mim, e que esta que vos fala, a legítima Raquel, retornou a escrever, ehh!!!
Eu posso facilmente dizer que não sou mais a mesma pessoa que escreveu aqui pela última vez. Continuo com muitas características antigas, naturalmente, mas levando outra vidinha, por assim dizer.
Não faço mais teatro, razão pela qual sou quase diariamente questionada em relação aos motivos. Eu justifico dizendo que "voltei a estudar", o que de certa maneira é verdade, porque eu tinha parado com a facu nos meus meses de maior dedicação à arte, mas é também em parte mentira, porque ainda não me vi mergulhada em livros. O fato é que voltei a freqüentar as aulas, e isso é verdade.
Não moro mais na casa da minha mãe. Resolvi mudar para um apartamento em que já moravam três estudantes (menininhas), o que me torna oficialmente moradora de uma república. Essa decisão foi tomada impetuosamente, mas não impensadamente, se é que me entende. Costumo dizer que tem seus prós e contras, mas por enquanto estou me dedicando muito aos prós.
Fiz novas amizades. Quem me conhece sabe que sou de poucos e verdadeiros amigos, que nunca sustentei muitos colegas e tampouco tive uma turma. Continuo assim, mas conheci muitas pessoas, e como foi há pouco tempo, ainda não deu tempo de dispensar as amizades superficiais. Resolvi dar um tempo e ver se consigo ser mais sociável.
Por enquanto esta será minha reintrodução a este blog. Vou pensar em quais são as minhas atuais idéias cujo conteúdo eu quero publicar e depois eu volto.
Beijinhos a todos!



28.4.05 (22:48)
Jura que tá publicando?
CARALEOOOOOOOO!
=)



26.12.04 (14:47)
Vai, blog! Atualiza meu post, pleeeeeeeeease!
Obrigada.



30.8.04 (02:53)
Sim, eu postei!
Quanto mais tempo fico sem postar, mais preguiça dá de postar de novo, porque faz lembrar a quantidade imensa de coisas que aconteceram desde a última vez... Eu tinha pensado em fazer uma retrospectiva de tudo que houve durante minha ausência (desde meu lamentável acidente de carro até minhas novas conquistas no teatro), mas deduzi que as pessoas que realmente não desistiram de acessar meu blog já estão por dentro de tudo. Enfim...
Um dia desses eu tava mexendo nuns e-mails que estão guardados no meu outlook e encontrei umas coisas interessantes... eu enviei há uns dois anos um e-mail para uma amiga e nele descrevi vários aspectos da minha personalidade, justificando minha atitude diante de alguma situação que aconteceu na época, que eu confesso que não lembro exatamente qual foi. Bom, mas o que importa é que lendo esse e-mail eu realmente me senti lendo um texto escrito por outra pessoa... ou me senti no lugar de outra pessoa que lê o que eu estou dizendo, se é que me entende. No dia eu estava "tão inspirada" que pude discorrer sobre coisas que hoje eu já não lembrava que pensava; como se minha personalidade fosse uma matéria que cai no vestibular e eu tivesse feito uma revisão dos tópicos difíceis aprendidos faz tempo.
Ok, ok... vou postar um trechinhozão:

(...) E eu sei que muitas vezes sou indelicada demais em
conseqüência do meu jeito muito espontâneo e sincero, e que isso acaba magoando
muita gente. Mas isso é um defeito meu, e não é exclusividade sua ser vítima
disso, não mesmo! Há um bom tempo que sofro por ser assim e vivo me
controlando pra evitar que isso se torne excessivo e prejudicial... mas às
vezes não dá certo mesmo.
Mas é que me irrito com muita hipocrisia do
mundo, a falsidade de tanta gente, de tantas situações... acho que muita coisa
nas atitudes das pessoas tinha que ser diferente. Odeio ter que ser boazinha
quando não quero ser, odeio sorrisos falsos e interesseiros, mecânicos, na
verdade, de algumas pessoas. Não quero que ninguém seja legal comigo por força
das circunstâncias, não quero amizades de mentira. Sempre fui de poucos amigos,
acho que por isso mesmo. Geralmente as pessoas que convivem comigo e de quem
quero uma maior aproximação são porque me identifiquei com elas, porque pude ser
eu mesma, porque pude conhecer a pessoa um pouquinho melhor, e nunca porque faz
parte da mesma galera e dane-se. Não consigo fingir ser o que não sou... pelo
menos não por muito tempo. (...) Odeio a incompreensão de algumas pessoas, a
insensibilidade. Eu costumo brincar dizendo que sou a pessoa mais compreensiva
que conheço, um pouco por seguir sempre esse lema de não julgar
ninguém. Não gosto quando me falam que eu não emagreço porque não quero, que é
fácil, é só parar de comer, enfim... quando menosprezam a minha dificuldade
(estou dando esse exemplo, porque é uma coisa que me incomoda muito, e
que eu sei que depende só de mim). Odeio!!! Ninguém está na minha pele pra
saber como é, não quero conselhos nesse sentido, porque acho que não há nada
sobre esse assunto que ainda me falte escutar e que eu mesma não repita sempre.
Ao mesmo tempo, não quero me fazer de vítima e dizer que os outros é que não me
entendem... simplesmente cada um se afoga nos seus problemas. E se é pra dar uma
opinião, que seja construtiva. (...) Eu acho que é bom ser discreta, como você
é... é positivo se poupar, claro. Mas ao mesmo tempo penso que se todos se
pouparem, muitas coisas nunca se tornarão normais e aceitáveis, como devem ser.
Por isso digo que quis fazer a minha parte. E esse meu jeito meio grosso às
vezes, que magoa as pessoas, é uma forma de defender algo que acho que deveria
ser cada vez mais normal... cada um tem suas idéias, e acho que nós mesmos
poderíamos ser mais compreensíveis. Não adianta nada eu querer falar o que
quero, se quando alguém vier falar o que quer, eu me desagradar. Aquele negócio
de quem fala o que quer escuta o que não quer. Eu não quero que seja assim, e
por isso tento ser compreensiva. E por isso te disse que dificilmente fico brava
de verdade com alguém. Porque pra mim todo mundo deveria ser mais espontâneo,
mas ao mesmo tempo não ficar com frescurinha... ser mais compreensivo. Por isso também
fico muito puta quando fico sabendo depois de um século que fulano tava magoado
comigo e eu não sabia. Primeiro pelo micão de eu não saber e continuar agindo
naturalmente, e segundo pela pessoa não ter me contado, sendo que procuro ser
compreensiva e não julgar, blá blá blá... (...)

Ehh!!! Se eu ganhasse um real pra cada "compreensiva" que escrevi, estaria rica! Puxa vida... eu queria lembrar o que aconteceu pra eu ter dito isso tudo. Acho que eu devo ter sido muito estúpida mesmo com minha amiga, não? E ela deve ter sido muito falsa também... e provavelmente eu só fiquei sabendo que ela ficou brava muito tempo depois...
Bom, parei. Até mais!




13.5.04 (09:08)
Que beleza... acordei antes das 6 pra fazer uns trabalhinhos bobinhos pra hoje, mas vi que não eram tão bobinhos assim e que não ia dar tempo. O que eu fiz então? Desencanei e faltei na aula, é claro. Dá um alívio quando todo essa decisão, mas dá um remorso depois... mas tudo bem, já acostumei.
Esses útimos meses tão voando muito, não sei se é pelo excesso ou pela falta de coisas pra fazer. Excesso porque tou desde abril apresentando meus musicais todo santo fim de semana, mas falta porque é só o que tenho feito além das atividades rotineiras de sempre. Não há nenhum problema em nada disso, é bem divertido e dá uma adrenalina boa... apenas faz o tempo voar, só isso. So falei por falar. E agora fui rapidamente interrompida pela campainha. Era uma moça querendo me entregar um folheto com um pensamento positivo para o dia. Em que mundo estamos em que me recusei a atender àquela moça? Depois eu reclamo que não tenho pensamentos positivos nessa vida, ai ai...
Na verdade um acontecimento muito positivo foi a volta dos bingos, ehh!!! Já não era sem tempo, mas conversando com o papi, ele já tirou meu cavalinho da chuva porque só vai recuperar a estabilidade de antes no ano que vem, porque os prejuízos foram muitos, blá blá blá... Mas tudo bem, um passo de cada vez.
Só para constar, as últimas apresentações do Vale Encantado são hoje, amanhã (quinta e sexta, dias 13 e 14/05) e sábado e domingo que vem (22 e 23/05). Não percam a chance de me ver como uma linda princesa, vai? Pelo menos de mentirinha...
Eu ganhei um passaporte pro Playcenter almoçando no São Paulo I. Alguém quer almoçar no São paulo I pra depois ir no Playcenter de graça comigo? É de graça mesmo, por que não?
Sabe o que pensei agora? Como a gente fala coisas e depois tem que morder a língua, né? Vamos todos pensar na última coisa que dissemos e que mordemos a língua, e então canalizar as energias para sermos pessoas melhores. Pronto, já deu um bom pensamento positivo para o dia. Só isso mesmo, tchauzinho.



21.4.04 (21:26)
Bem, eu decididamente não quero que meu blog morra, então preciso alimentá-lo. Estava aqui pensando e notei uma certa semelhança entre ele e minha cachorra, a Dhara... tipo... eu gosto dela(e), mas sou negligente, não cuido, não faço carinho, não dou comida, só lembro de dar atenção de vez em quando... e ela(e) continua lá, sempre presente e com uma resposta acolhedora quando eu resolvo lembrar de visitar. Viu? Igualzinho! A diferença é que a Dhara tem uma babá que não a deixa morrer, antes que algum defensor dos animais se desespere de achar que a Dhara tá sofrendo demais. Minha mãe e seu namorado a adotaram lindamente e talvez hoje em dia ela nem me reconheça mais. Na verdade, não sei.
Mas meu blog não precisa de uma mãe adotiva, eu ainda estou aqui.
Eu estava pensando no que poderia fazer pra modificar a atual pasmaceira da minha vida. Pensei sem limites, cogitei a possibilidade de mudar de vida totalmente. Calma, só pensei por pensar, não pensei no sentido de ter a intenção de, se é que me entende. Aí vi que mesmo que eu mudasse tudo, vejamos... eu prestasse faculdade no interior, fosse morar sozinha, trabalhando de dia e estudando à noite, por exemplo, num curso de... Fisioterapia. Mesmo assim, a minha essência seria a mesma. As lembranças continuariam, e são elas que estão machucando mais, doendo mais. E num momento raro da minha vida o indesejado está acontecendo: a felicidade dos outros está incomodando. Será que além de tudo estou me tornando uma pessoa pior? Pior por fora eu sei que estou, mas por dentro? Estou me tornando amarga e invejosa? Bom, prefiro acreditar que não, porque ainda sinto, mesmo inexplicavelmente, orgulho por ser quem sou. Não posso perder isso, né?
Tá bom, não vou perder. E acabei de arrumar um pretexto pra dizer que não posso fazer nada e assim me redimir de minha culpa, podento até me fazer de vítima e tentar chamar a atenção dos outros, que na verdade não estão nem percebendo que preciso de ajuda, se é que preciso, mas que quero achar que preciso, não sei por que também, mas tudo bem. Quem precisa de analista, não? Bye!



8.4.04 (21:49)
Ai gente, desculpa, mas não tou a fim...
Ultimamente tenho sentido só saudades... de vez em quando, quando eu menos espero, surge uma lembrança na minha cabeça que faz meu coração ficar tão apertadinho... coisas banais, momentos insignificantes, que nem sei por que ficaram gravados na memória, mas que agora estão vindo em doses homeopáticas. Aí eu vejo que estou em um momento nada... esperando algo acontecer e lembrando do que já aconteceu. A situação atual simplesmente não é nada! E tenho tido que ver/ouvir/presenciar cenas que viram o meu estômago direitinho, bleeeergh! Vou chamar o hugo, até mais!



22.3.04 (01:37)
Bom, aproveitando que agora é um restinho de domingo e que não postei na semana passada, não vou deixar esses últimos momentos antes de eu ir dormir passarem em branco. O que eu posso dizer é que toda aquela apreensão acabou, e é claro, não consegui o papel que queria. Mas ok, de verdade, já superei isso. Mesmo! A outra garota está linda no papel, treinou e tá subindo no praticável com a maior facilidade, uma beleza! E já descolei outro papel pelo qual estou me apegando a cada dia mais. Viremos essa página.
Não posso deixar de relatar uma situação ocorrida na semana retrasada, pela qual garanto que pouquíssimas pessoas passaram. Meu carro foi vítima de um alagamento, pode? Deixei-o estacionado tranqüilamente na vaga de sempre, quando o inesperado aconteceu: caiu o mundo em Barueri. Ok... aquela área é comum de encher, mas juro que fui ingênua (ou burra) o suficiente pra achar que do local onde deixei meu carro a água não ousaria se aproximar. Pois bem, ela se aproximou, invadiu, adentrou, enlameou, melecou e tudo mais o meu possante, até cobrir os bancos. Mas antes que perguntem, eu já aviso: não, não estragou a parte mecânica do carro, foi só a sujeira mesmo, a qual depois de uma semana a pé já foi devidamente resolvida.
Ademais, sinto que estou bem mais estimulada para estudar neste semestre. Eu consegui, com uma jogada de mestre, escapar de uma matéria chatíssima da qual todos os meus colegas reclamam, e confesso que me dá um alívio apenas por não estar na mesma situação, independente das outras matérias que estou fazendo. Acho que é a sensação de que o curso está começando a se aproximar da reta final, embora para isso ainda haja muitas curvas. Mas já dei uma cortada de caminho, tudo vai dar certo!!!
E só pra completar, Lendas & Tribos estréia dia 3 de abril, e continua em cartaz até o último final de semana do mesmo mês, aos sábados às 21h, e aos domingos, às 20h. Me avisem se quisererm ir assistir, please!!!
Beijinhus!!!!



8.3.04 (00:24)
E por falar em coisas que se repetem não premeditadamente, domingo certamente é o dia em que eu mais escrevo meus posts, se não for o único. Mas tudo bem, existem justificativas mais lógicas pra essa estatística. Por exemplo, é um dos raros dias em que pode acontecer de eu ficar em casa sem fazer nada (e acordada) por mais de 4 horas seguidas.
Ontem aconteceram algumas pequenas coisas, daquelas onde está a felicidade, sabe? Detalhes dos espetáculos que tou ensaiando, baladinhas divertidas com companhias queridas, muita demonstração de carinho... Mas como tudo tem altos e baixos, hoje já tive um pouco mais de apreensão. Na verdade está tudo bem, mas pelo visto vou ter que ficar com algumas expectativas por um tempo ainda. Meu, o que aflige nem é o medo do resultado, mas a dúvida. Que situação aflitiva não saber se vou conseguir o tal papel que quero, a sensação angustiante de ficar o tempo todo imaginando que a outra candidata foi muito bem, que o diretor pode tê-la achado melhor, o inevitável clima de rivalidade que se forma... fora saber que vou ter que me teletransportar pra um praticável (tipo uma prateleira grandona, só que o que você coloca em cima é gente) altíssimo sabe-se lá como.
Ok, ok... se todos os problemas do mundo fossem esses, tudo estaria lindo, como eu costumo dizer. Tenho um problema muuuuuuuuito maior, que é o fato de as minhas aulas na facu começarem amanhã, somado ao meu sono que está desregulado há meses. Credo, que feio eu falar isso, né? Mas é claro que eu digo isso da boca pra fora, né? Lógico que até gosto da minha facu, não é esse o problema... o verdadeiro problema é a minha preguiça interminável, só isso.
Mas belezinha. A única coisa que sei é que as próximas semanas serão de grandes emoções, muita expectativa, novidades, enfim... nada vai ficar na mesma. A propósito, preparem-se porque em breve minha propaganda do teatro vai aumentar. Estou a menos de um mês da estréia de Lendas & Tribos, vão juntando os dez reais, heim?
Bye, Chuchus!



28.2.04 (00:32)
Meu, acho que estou precisando conversar. Quero ganhar carinho de amigos, já que não dá pra ser de outro jeito... Não é nenhum desabafo específico não, não quero pegar o telefone e chorar minhas pitangas no ombro de ninguém... acho que só o que eu queira agora era uma rodinha de amigos, formada espontaneamente, pra ser jogada muita conversa gostosa fora. Amo os amigos que já tenho, amo muitão mesmo! Mas quero mais, quero conhecer pessoas novas, mesmo que eu já as conheça há vinte anos, se é que me entende. E eu não sei se já comentei isso aqui, mas percebi que nos últimos anos, a minha vida tem seguido um ciclo ininterrupto, por acaso. Notei que no final do ano é quando eu estou me sentindo um cocô... aí no começo do ano isso se agrava e eu atinjo o fundo do poço (como diriam os integrantes da Igreja Universal em seus depoimentos televisivos); aí depois do carnaval eu dou uma revigorada, acordo pra vida, remexo tudo, dou a volta por cima, até que lá pro mês de abril eu atinjo o auge da felicidade daquele ano. Fico mais bonita, mais realizada, enfim... isso dura até julho, agosto, quando a depressão volta aos poucos... em outubro eu já noto a diferença de peso, até que no fim do ano estou aquela bola triste de novo. Eu só fui me dar conta disso este ano, não é nada premeditado, mas quando parei pra pensar, vi que esse ciclo vem se repetindo há vários anos, que curioso! Bom, pelas estatísticas, é hora de eu começar a me revigorar, mas parece que a vontade não vai vir de mim espontaneamente, viu? Alguém viu a minha energia por aí? Não achei ainda, e não quero deixar o prazo passar!